sexta-feira, 18 de janeiro de 2013

Carta de uma mãe que perdeu seu bebê


Está carta foi nossa amiga Amanda do blog diario de uma gravidez que postou e com sua permissão estou postando aqui também, acho que quanto mais divulgar melhor. 

As partes em azul é a opinião da querida Amanda e a parte de vermelho a minha.

Antes de colocar a carta aqui, quero dizer que apesar de estar lutando dia após dia pra ter um motivo pra sorrir, não prometi e nem vou prometer que não sentirei a dor da perda... Quem passou sabe a montanha-russa emocional que é... Independente de quanto tempo passe... Seria bom se eu tivesse achado essa carta logo quando perdi, pois seria um bom aviso pra muitos!

Esta carta foi escrita por uma enfermeira americana que perdeu seu bebe e tem sido usada no mundo todo para ajudar as pessoas a compreenderem o sofrimento que enfrentam as mães que perdem seus filhos.
Espero que possa ajudar a todos os que lerem-na.

Esta carta foi feita para ajudar outras pessoas a entender e respeitar a dor da perda gestacional.

Ƹ̵̡Ӝ̵̨̄Ʒ
 Quando estiver tentando ajudar uma mulher que perdeu um bebê, não ofereça sua opinião pessoal sobre sua vida, suas escolhas, seus projetos para seus filhos. Nenhuma mulher nesta situação está procurado por opiniões (de leigos) sobre porque isto aconteceu ou como ela deveria se comportar.

Não diga: É a vontade de Deus. Mesmo se nós somos membros de uma mesma congregação, a menos que você seja um dirigente desta igreja e eu estiver procurando por sua orientação espiritual, por favor, não deduza o que Deus quer para mim. A vontade de Deus é que ninguém sofra. Ele apenas permite.
Apesar de saber que muitas coisas terríveis que acontecem são permitidos por Deus, isto não faz estes acontecimentos menos terríveis. (Uma coisa que pedi pros mais próximos não citar foi exatamente isso, até disse pro marido que não queria sentir raiva de Deus, não queria atribuir a perda sobre vontade ou desvontade de Deus..... o que me deixou muito chateada foi dizer - Deus sabe o que faz... Nunca diga isso a uma mãe que acabou de perder seu filho, tive vontade de brigar com Deus por isso... a gente sabe disso, mas não queremos ouvir)

Não diga: Foi melhor assim havia alguma coisa errada com seu bebê. O fato de haver alguma coisa errada com o bebê é que me faz tão triste. Meu pobre bebê não teve chance. Por favor, não tente me confortar destacando isto. (Uma coisa que me disseram bastante, que me irritava e me desesperava mais ainda, não conseguia imaginar meu filho tendo algum problema aqui fora, ou até mesmo morrer pouco tempo depois do nascimento... Fato, qual mãe quer ouvir isso, queremos imagina-lo perfeito como ele era.)

Não diga: Você pode ter outro. Este bebê nunca foi descartável. Se tivesse a escolha entre perder esta criança ou furar meu olho com um garfo, eu teria dito: Onde está o garfo? Eu morreria por esta criança, assim como você morreria por seu filho. Uma mãe pode ter dez filhos, mas sempre sentirá falta daquele que se foi. (Taí uma verdade, nenhum outro filho vai mudar o que senti e sinto pelo meu anjo, ele era único.. E por mais que eu tenha 15 filhos, ainda assim vai estar faltando um... entao se eu tiver 10 e 9 morrer o unico que sobrou vai substitui-los??? logico que não, ele era único e nenhum outro substituirá)

Não diga: Agradeça a Deus pelo(s) filho(s) que você tem. Se a sua mãe morresse num terrível acidente e você estivesse triste, sua tristeza seria menor porque você tem seu pai?

Não diga: Agradeça a Deus porque você perdeu seu filho antes de amá-lo realmente. Eu amava meu filho ou minha filha. Ainda que eu tenha perdido meu bebê tão cedo ou quando nasceu, eu o amava.(Antes de amá-lo realmente? A sorte é que ninguém nunca me disse isso, senão ouviria poucas e boas, pois eu o amo desde quando vi a segunda risquinha do teste!...Eu já o amava antes mesmo de concebe-lo, não existe uma mãe que não ame seu filho plenamente assim que vê o positivo ali nas suas mãos)

Não diga: Já não é hora de deixar isto para trás e seguir em frente? Esta situação não é algo que me agrada. Eu queria que nunca tivesse acontecido. Mas aconteceu e faz parte de mim para sempre.A tristeza tem seu tempo que não é o meu ou o seu. (Não preciso dizer nada né?!... Se seu filho que vc criou com tanto amor e carinho morresse, vc deixaria a lembrança dele p tras? é a mesma coisa, o mesmo sentimento)

Não diga: Eu entendo como você se sente. A menos que você tenha perdido um bebê, você realmente não sabe como eu me sinto. E mesmo que você tivesse perdido, cada um vivencia esta tristeza de modo diferente.

Não me conte estórias terríveis sobre sua vizinha, prima ou mãe que teve um caso parecido ou pior.A última coisa que preciso ouvir agora é que isto pode acontecer seis vezes pior ou coisas assim. Estas estórias me assustam e geram noites de insônia assim também como tiram minhas esperanças. Mesmo as que tenham tido final feliz, não compartilhe comigo.(isso também me deixou furiosa, as pessoas tentando piorar suas histórias para me fazer sentir "melhor", não queremos ouvir nada nesse momento)

Não finja que nada aconteceu e não mude de assunto quando eu falar sobre o ocorrido. Se eu disser antes do bebê morrer... Ou quando eu estava grávida...não se assuste. Se eu estiver falando sobre o assunto, isto significa que quero falar. Deixe-me falar. Fingir que nada aconteceu só vai me fazer sentir incrivelmente sozinha.

Não diga Não é sua culpa. Talvez não tenha sido minha culpa, mas era minha responsabilidade e eu sinto que falhei. O fato de não ter tido êxito, só me faz sentir pior. Aquele pequenino ser dependia unicamente de mim para trazê-lo ao mundo e eu não consegui. Eu deveria trazê-lo para uma longa vida e não pude dar-lhe ao menos sua infância. Eu estou tão brava com meu corpo que você não pode imaginar. (Essa parte é a que eu mais me identifico, pois foi incompetência do meu corpo em não aguentar o peso do bebê, e só de lembrar da casinha dele descendo até estourar me dá pesadelos...nos sentimos culpadas, sendo ou não, não tem como deixar de pensar no e "si", e ao tentar nos aliviar a culpa, nos sentimos mais culpadas ainda)

Não me diga: Bem, você não estava tão certa se queria ter este bebê... Eu já me sinto muito culpada sobre ter reclamado sobre mal estar matinais ou que eu não me sentia preparada para esta gravidez ou coisas assim. Eu já temo que este bebê morreu porque eu não tomei as vitaminas, comi ou tomei algo que não devia nas primeiras semanas quando eu não sabia que estava grávida. 
Eu me odeio por cada minuto que eu tenha limitado a vida deste bebê. Se sentir insegura sobre uma gravidez não é a mesma coisa que querer que meu bebê morra, eu nunca teria feito esta escolha. (Ou quando dizem que eu não me alimentava direito, que não consumi as vitaminas certas pra fortalecer o útero)

Diga: Eu sinto muito. É o suficiente. Você não precisa ser eloqüente. As palavras dizem por si.

Diga: Ofereço-lhe meu ombro e meus ouvidos.

Diga: Vocês vão ser pais maravilhosos um dia ou vocês são os pais mais maravilhosos e este bebê teve sorte em ter vocês. Nós dois precisamos disso.

Diga: Eu fiz uma oração por vocês. Mande flores ou uma pequena mensagem. Cada uma que recebi, me fez sentir que meu bebê era amado. Não envie novamente se eu não responder.

E se ficar em duvida, não diga nada, as vezes só um abraço fala mais que mil palavras.

Não ligue mais de uma vez e não fique brava (o) se a secretária eletrônica estiver ligada e eu não retornar sua chamada. Se nós somos amigos íntimos e eu não estiver respondendo suas ligações, por favor, não tente novamente. Ajude-me desta maneira por enquanto.

Não espere tão cedo que eu apareça em festas infantis e ou chás para bebes ou vibre de alegria no dia das mães. Na hora certa estarei lá.

Se você é meu chefe ou companheiro de trabalho:
Reconheça que eu sofri uma morte em minha família não é simplesmente uma licença médica.Reconheça que além dos efeitos colaterais físicos, eu vou estar triste e angustiada por algum tempo. Por favor, me trate como você trataria uma pessoa que vivenciou a morte trágica de alguém que amava. Eu preciso de tempo e espaço.

Por favor, não traga seu bebê ou filho pequeno para eu ver. Nem fotos. Se sua sobrinha está grávida, ou sua irmã teve um bebê há pouco, por favor, não divida comigo agora. Não é que eu não possa ficar feliz por ninguém mais, é só que cada vez que vejo um bebê sorrindo ou uma mãe envolta nesta felicidade, me traz tanta saudade ao coração que eu mal posso aguentar. Eu talvez diga olá, mas talvez eu não consiga reprimir as lágrimas. Talvez ainda se passarão semanas ou meses antes que eu fique pelo menos uma hora sem pensar nisso. Você saberá quando eu estiver pronta.Eu serei aquela que perguntará pelos bebes, ou como está aquele garotinho lindo?

Acima de tudo, por favor, lembre-se que isto é a pior coisa que já me aconteceu. destaque para esta parte, pois as pessoas acham que não é nada.. que é apenas uma coisa que quebrou e é só comprar outro para substituir.

A palavra morte é pequena e fácil de dizer. Mas a morte do meu bebê é única e terrível. Vai levar um bom tempo até que eu descubra como conviver com isto.

Ajude-me.

As partes em azul são as minhas opiniões sobre a frase da carta!


A cópia da carta é autorizada, sem créditos. 

3 comentários:

  1. nesses momentos difíceis amiga
    peço muito a Deus que me dê palavras
    pois apesar de já ter passado por isso
    e saber como é perder o que queremos
    mesmo assim cada um tem uma maneira
    de passar por esse momento.
    mas hoje aprendi mais um pouco
    obrigada amei
    lindo fim de semana
    um abraço bem apertado
    beijokas

    http://sermamaepelasegundavez.blogspot.com.br/

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  2. Oi Nanda....é complicado mesmo amiga, a gente sempre fica sem saber o que dizer.. mas a vida é assim vivendo e aprendendo, eu tbm aprendi muito com esse texto..bj

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  3. Nem sei o que te dizer pois penso como vc muitas coisas? Tenho uma filha mas a que perdi e' unica eu nunca vou esquece _ la minha dor ainda muito grande,nao sei o vai ser de mim ja pedi ate a conta do meu emprego

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Obrigado pelo seu carinho!!!