segunda-feira, 18 de março de 2013

Relatos da Carol..Uma mãe de anjo - parte 2!!!

Quem perdeu a 1ª parte clique aqui




Se eu fechar os olhos, sou capaz de lembrar cada detalhe daquele dia,
mesmo mais de um ano depois. Lembro do rosto incrédulo do meu marido
quando a médica deu a notícia e da dor profunda no meu peito, que
parecia que ia se abrir no meio. Lembro da minha médica chegando e me
dizendo que "essas coisas acontecem", do meu irmão
segurando minha mão ainda na emergência, com uma carinha de
choro que me partiu o coração. Lembro de ouvir o choro de minha
cunhada na sala de espera, do meu pai do lado da minha cama no meio da
noite, da minha mãe consolando meu marido, que simplesmente não sabia
o que fazer. 

 Foi tudo muito, muito, absurdamente triste e doloroso, principalmente
porque, como contei, eu e o bebê chegamos até ali sem qualquer
sobressalto. Pra mim, inclusive, ninguém perdia um bebê assim, no
quinto mês, ou, pelo menos, não era uma coisa "normal", como a médica
insistia em repetir! Quando a gente engravida, o que dizem é que o
problema são os três primeiros meses, que a gente tem de se cuidar até
a 12ª semana e tal. Como então explicar que um bebê saudável, de uma
mãe saudável, fosse embora assim, do nada? 

Entrei na emergência às 9:30 da manhã e o processo todo foi até às 10
da noite. Não pude tomar nenhuma anestesia (na verdade, não sei ao
certo se não pude ou se não quiseram me dar), então passei o dia tendo
as contrações, que aumentaram até ficarem insuportáveis. Como o bebê,
até os últimos minutos, tinha batimentos cardíacos, eu não quis
acelerar o processo com medicação (e como eu poderia fazer isso?????),
então esperei que meu corpo fizesse o trabalho sozinho, e que ele
fosse embora por si só. Depois que ele se foi, ainda tive de fazer
curetagem, porque a placenta não tinha sido totalmente expelida. A
sensação era de que aquilo tudo simplesmente não acabava. 

 No dia seguinte, tive alta e fui pra casa, o que não tornou nada mais
fácil, pelo contrário. As pessoas acham que o abortar em si - as
dores, os sangramentos - é o pior, mas ninguém sabe que um bebê não se
perde assim, de uma vez só. Ele vai embora aos pouquinhos, em cada
momento que você se dá conta de que ele não está mais lá. 

 Nos primeiros dias, eu não conseguia tomar banho. Eu entrava no
chuveiro e, sei lá porque, começava a chorar sem parar, então adiava
ao máximo a hora de fazer isso. Depois fui me dando conta de que tomar
banho era "enxergar" aquele corpo de quem tinha parido (a barriga
mole, os seios inchados), mas sem ter um bebê que justificasse aquelas
mudanças. Eu acordava de manhã e, automaticamente, passava a mão do
lado direito da barriga, que era onde o bebê normalmente ficava
nesse horário, aí então me lembrava de que não tinha mais nada ali, e
vinha a choradeira de novo. 

 Passei o primeiro mês desse jeito: me acostumando com a ausência
enorme do meu filho, chorando a falta dele e de tudo o que ele
representava. E é a partir daqui que eu acho que a minha experiência
pode, de alguma maneira, lhe ajudar com a sua perda.

3 comentários:

  1. Sinto muito Deus abençoe vc e sua família tudo de bom e uma bela noite meu blog é esse http://samukatraquina.blogspot.com.br/ e fique com Deus ,bjs

    ResponderExcluir
  2. que dor a qual nem posso imaginar
    Deus te conforte e te ajude nessa
    caminhada

    bos noite bjs

    http://sermamaepelasegundavez.blogspot.com.br/

    ResponderExcluir
  3. nossa.... será q sobrevivo até a última parte??? lendo isso... me veio a memória cada segundo da minha perda.

    ResponderExcluir

Obrigado pelo seu carinho!!!