segunda-feira, 18 de março de 2013

Relatos da Carol..Uma mãe de anjo - parte 3!!!

Quem perdeu as 2 primeiras partes clique aqui e aqui.

Esta é a história da Carol, uma mãe de anjo que sofreu muito com sua perda, mas conseguiu se reerguer.... são 5 partes.




Tenho muito sorte de ter uma família unida e um marido maravilhoso,
que me deram suporte pra não desabar de vez. Também tenho muita sorte
de, um dia, há pouco mais de 3 anos, ter tido vontade de fazer
terapia, porque, quando perdi o bebê, mesmo anestesiada pela tristeza,
eu tinha consciência exatamente de como NÃO deveria enfrentar a
situação. 

Eu sabia que, ao contrário do que todo mundo adora dizer, eu NÃO tinha
de ser forte. Eu sabia que, se não me permitisse sentir aquela
tristeza enorme, pelo tempo que fosse necessário, ela não passaria
jamais e, pior, um dia, mais cedo ou mais tarde, viria me assombrar.
Ou pior: se eu não curasse aquela dor, ela se transformaria numa
doença. 

Eu também sabia que NÃO tinha de "dar a volta por cima" e voltar à
minha rotina o mais rápido possível, porque isso, teoricamente, iria
"me ajudar a esquecer" o que tinha acontecido (as pessoas falam cada
bobagem...). 

Primeiro, porque eu simplesmente não conseguia fazer as coisas mais
simples sem um enorme esforço. Eu mal conseguia me concentrar pra
assistir um capítulo de novela, quem dirá sentar e trabalhar!
Segundo, porque eu - que sempre fui independente, confiante
e decidida - fiquei extremamente insegura, incapaz mesmo de tomar
decisões ou de fazer escolhas. 

Lembro como se fosse hoje: lá pelo segundo mês, eu e meu marido fomos
ao shopping, pra comer alguma coisa. A gente levou uns 40 minutos
rodando na mesma praça de alimentação, e eu não conseguia, de jeito
nenhum, dizer o que queria. Eu simplesmente não conseguia escolher
nada pra comer! Aquilo foi me deixando tão nervosa, tão frustrada, que
comecei a chorar ali mesmo, no meio do shopping. Noutra ocasião, eu
chorei em frente ao guarda roupa, porque também não conseguia escolher
uma roupa pra vestir. Agora, imagine como seria me obrigar a fazer
supermercado, ir ao banco, dirigir, voltar à vida normal! 

Eu também tinha consciência que NÃO tinha de fingir que nada tinha
acontecido. As pessoas gostam de jogar pra baixo do tapete tudo o que
dói, que incomoda, que faz chorar, na ilusão de que, agindo assim, vão
conseguir "não lembrar" e, assim, não vão sofrer. O problema que o que
não é dito, o que não é conversado, não é digerido, e fica pairando,
como uma sombra pro resto da vida. Na hora em que resolve aparecer é
como uma bomba, sai destruindo tudo pela frente. Eu sabia que, se não
falasse sobre a dor que eu sentia com meu marido, pra evitar que ele
chorasse, meu filho iria se tornar um tabu entre a gente, um assunto
proibido. A mesma coisa com a minha família. No início, ninguém tocava
no assunto na minha frente, justamente na tentativa de não me magoar.
Mas esse "fingimento" (não no mal sentido) era muito pior, porque tudo
parecia artificial. Ficava sempre a sensação de que alguma coisa
estava no ar, rondando, prestes a cair lá de cima e sair levando tudo. 

Por isso, desde o primeiro momento, eu falei, falei muito, sobre o que
sentia. Falei da minha gravidez, do meu filho, da minha perda, das
dores, da tristeza, dos medos. Em momento algum eu tentei disfarçar o
que eu sentia, muito pelo contrário! Eu me esforçava pra sempre "dar o
nome certo às coisas", ou seja, a tentar explicar claramente o que eu
estava sentindo. 

Era até engraçado, porque algumas perguntas retóricas do tipo "e aí,
você tá melhor?" recebiam uma resposta bomba, tipo: "não, hoje tô
péssima, porque tive de separar umas roupinhas do bebê pra
colocar no caixãozinho dele e chorei a tarde inteira"... As pessoas
simplesmente não sabem o que fazer quando você diz a verdade! Teve um
dia em que minha mãe me perguntou por que eu tava chorando, se eu tava
triste, e eu larguei um "tô triste não, tô é com muita raiva de Deus,
porque ele não me dá um dia de trégua". Tadinha, ela ficou
desesperada, sem saber o que fazer.

Um comentário:

  1. concordo com ela quando diz: "eu NÃO tinha de ser forte. Eu sabia que, se não me permitisse sentir aquela tristeza enorme, pelo tempo que fosse necessário, ela não passaria jamais e, pior, um dia, mais cedo ou mais tarde, viria me assombrar. Ou pior: se eu não curasse aquela dor, ela se transformaria numa doença"

    Por isso... eu me permiti... chorar... chorei muito... por 30 dias seguidos, sem pular 1 dia sequer... depois foi diminuindo... hj (9 meses depois) ainda choro... mas é menos!

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